O tempo desliza a uma velocidade incrivel. Nós, mães, assistimos, muitas vezes boquiabertas, ao desenrolar do desenvolvimento dos nossos filhos. Ontem ainda eram tão pequeninos, hoje já estão tão independentes...
Proponho-vos, esta semana, uma viagem no tempo. Uma viagem que nos levará às memórias dos professores que tivemos. Bons ou "maus". Justos ou não. Aos professores que fizeram a diferença. Pela positiva e pela negativa.
Nos tempos actuais, em que tanto se fala do papel do professor e da qualidade do quadro docente nas escolas portuguesas, gostaria de abrir um espaço à partilha de vivências de quando nós mesmas eramos alunas, ávidas de aprender, nos bancos da escola.
Que memórias guardam dos vossos professores?
“Quando o Luís tentou tirar a bola à Rita, ela segurou a bola ainda com mais força e mordeu a mão do Luís” ou “Já não sei o que fazer para que o meu filho não morda o meu peito quando estou a amamentar”.
Estas são duas situações distintas mas que revelam uma preocupação comum dos pais, isto é, quando a criança começa a manifestar no seu reportório comportamental o acto de morder.
Antes de mais, importa referir que este acto é bastante comum até aos 3 anos de idade, apesar de não constituir de todo uma situação agradável, quer para a criança que morde quer para a criança que é mordida e os respectivos pais.
Há várias razões que levam uma criança a morder e, por conseguinte, diferentes modos do adulto reorientar a criança.
Assim, há crianças que mordem porque consideram o acto engraçado ou porque desejam explorar a relação causa-efeito. Normalmente, são crianças cuja idade ronda os 12 meses, começando o acto de morder aquando do rompimento dos primeiros dentes. Assim, as crianças podem morder o ombro, a face, o peito da mãe sem terem noção de que esse mesmo acto provoca dor. Nesta idade, a criança deseja explorar, com todos os seus sentidos, tudo aquilo que a rodeia, acrescentando à exploração táctil da mão a exploração táctil com a boca. É como se esta última fosse uma “mão-extra” que lhes devolve informação adicional acerca de um determinado estimulo.
Neste primeiro caso, o que poderemos fazer é agir de imediato, não deixando passar o acto de morder em vão. Um “Não!” firme (mas não agressivo), acompanhado de uma expressão fácil em consonância resultará na maioria das vezes. Outras vezes há em que a criança parece querer provocar os pais, repetindo o mesmo comportamento vezes sem conta. A mensagem que a criança, neste caso, nos está a transmitir é que necessita novamente do estabelecimento de limites por parte dos pais, com o mesmo registo inicial. Ora, o que sucede é que, nas vezes seguintes em que a criança reproduz o mesmo comportamento, os pais pensam que ela está a provocá-los, acabando por acrescentar ao “Não!” inicial um registo mais agressivo (algo como: “Então, Manuel, não ouviste o que a mãe disse? A mãe disse que não. E não é não, ai de ti que voltes a morder!”). É muito provável que, após esta repreensão, a criança volte a repetir o mesmo comportamento. E porquê? Porque ficou amedrontada com a reacção dos pais e não dispõe de ferramentas para lidar com esse sentimento. A não ser morder novamente para “chamar a atenção” dos pais para uma explicação firme mas não severa.
Quando constatamos que o acto de morder é ocasional e está sobretudo relacionado com o nascimento dos primeiros dentes, poderemos oferecer à criança anéis de dentição, refrigerados ou não. Neste caso, estaremos a canalizar o comportamento de morder para um veiculo aceitável: um mordedor.
Contudo, a criança pode morder por ter sido contrariada, por inveja ou por ciúme.
A maioria dos casos ocorre em ambiente de creche e de jardim de infância, com os pares, importando ter um olhar mais atento perante estas situações.
Aqui, e para além da repreensão firme e imediata, deveremos entender o que despoletou o acto de morder:
Quando a criança morde quando é contrariada, importa fomentarmos a sua resistência à frustração porque o morder é, para ela, a “arma” de resposta mais eficaz a seguir ao bater, por exemplo. Assim, e imediatamente após o acto de morder, deveremos tornar claro para a criança que o seu comportamento é inaceitável. Um “Não!” firme acompanhado de uma expressão facial condizente será a primeira abordagem. A segunda abordagem passará por nos colocarmos ao mesmo nível que a criança e, tendo captado a sua atenção, explicar-lhe o porquê desse comportamento não ser aceitável. Esta explicação deverá ser ajustada à idade desenvolvimental da criança: para crianças pequenas, uma explicação breve e clara (por exemplo: “Morder faz dói-dói e o menino fica muito triste. Não morde, Luís, morder não.”), para crianças maiores, uma explicação mais elaborada (por exemplo: “Não podes morder o teu amigo por ele te ter tirado o jogo porque morder dói muito e ele pode não mais querer brincar contigo. Porque não lhe pedes para jogarem os dois? Se ele não quiser, tens concerteza outros jogos giros na sala com os quais podes brincar. Mesmo que queiras muito brincar com aquele jogo, não te preocupes, brincas depois com ele. Agora, morder não.”).
Posteriormente, o adulto que estiver com a criança que morde deverá canalizá-la para uma actividade do seu agrado, por exemplo, a leitura de um livro ou um jogo de encaixes.
Uma reacção bastante comum é a criança que morde começar a chorar depois de ter mordido um colega. Tal deve-se ao facto de ter ficado assustada com o seu próprio comportamento. O que deveremos nós fazer? Depois do “Não!” firme e da sua explicação, poderemos apresentar-lhe um brinquedo apelativo, dar-lhe um beijinho e dizer-lhe que já passou. A criança irá certamente acalmar-se.
E quanto à criança que foi mordida? Concerteza que a reacção mais comum será igualmente o choro. Deveremos trazê-la para junto de nós, vermos a dentada (se for profunda poderá necessitar de lavagem e desinfecção) e confortá-la o mais possivel. Quando as duas crianças, a que mordeu e a que foi mordida, estiverem ambas restabelecidas do sucedido, poderemos tentar trazê-las para junto de nós e envolvermo-nos numa breve actividade lúdica, sempre mediada pelo adulto. Perante alguma resistência, importa não forçar. Tentaremos mais tarde o contacto das duas crianças.
Quando a criança morde porque deseja ser o centro das atenções, poderemos estar perante uma criança cuja auto-estima necessite de ser promovida. Ela precisa de muito feedback positivo e de reconhecimento. Precisa ainda de um adulto de referência que brinque durante mais tempo com ela, não descurando, claro está, a repreensão do acto de morder.
Quando a criança morde porque é a mais pequena de um grupo de crianças, então poderemos juntar o grupo e desenvolver actividades lúdicas que promovam a partilha. Por exemplo, sentadas em rodinha, as crianças passam a bola de um amiguinho para o outro. De igual modo, podemos desenvolver actividades em que a criança mais pequena desempenhe o papel de líder. Por exemplo, num teatro de fantoches, ser ela a movimentar e/ou a dar voz a um dos bonecos. Novamente aqui importa não descurarmos o “Não!” firme logo após a ocorrência do acto de morder.
Em suma, estas situações nunca são agradáveis, quer para as crianças, quer para os educadores e sobretudo os pais. Os pais da criança que mordeu sentem-se ansiosos, culpados e/ou incrédulos, não sabendo como reprimir o comportamento da criança e como explicar aos pais da criança que foi mordida que o seu filho não mordeu “por mal”. Por outro lado, os pais da criança que foi mordida podem reagir compreensivamente ou com indignação. São reacções perfeitamente expectáveis e que deverão ser sempre enquadradas num diálogo com a educadora. Todos juntos, poderão delinear uma estratégia comum para prevenir o acto de morder, quer entre as crianças envolvidas quer futuras situações que envolvam outras crianças, pois sabemos que elas são eximias a reproduzir os comportamentos que observam.
O divórcio constitui uma situação penosa, quer para os pais, quer para as crianças. Existe uma mágoa, uma saudade que fica, a perspectiva de um futuro ainda por definir, responsabilidades por dividir.
Pessoalmente, defendo que, quando um casal tem filhos, estes deverão ser um factor de ponderação. Se bem que mais vale um divórcio do que um casamento que não seja saudável para ninguém. Não concebo o divórcio como um afastamento progressivo entre as pessoas, sobretudo quando existem filhos, a não ser, claro, que existam razões muito fortes para tal. Deveremos pensar em primeiro lugar nas crianças, pois elas sentem o afastamento dos pais, mesmo quando são bebés de colo. Os bebés criam, desde logo, laços importantíssimos com os seus progenitores e a ausência mais ou menos prolongada de um não encerra a porta para a saudade que o bebé sente pelo progenitor que saiu de casa. Acrescentando a isto a turbulência emocional pela qual o outro membro do casal passa, é natural que o bebé fique mais vulnerável, sensível e/ou que manifeste comportamentos regressivos.
Assim, a continuidade da relação e a sua constância são preciosos auxiliares para uma boa adaptação da criança ao novo quadro familiar.
Será, pois, primordial que, independentemente da idade da criança, que esta entenda que a separação dos pais não se deve a ela nem que os pais a abandonarão em circunstância alguma. Com efeito, o bom senso e a ausência de chantagens emocionais são certamente importantes chaves para que o futuro emocional, académico e social da criança não fique comprometido.
Segundo o Dr Mário Cordeiro, os pais deverão explicar aos filhos a situação, sem mentiras nem falsas promessas, mesmo que a criança deseje sempre a união dos pais.
Especialmente importante é valorizar os aspectos positivos de ambos os pais. A imagem que o filho tem de ambos os progenitores deverá ser positiva, sem “manchas de ressentimento”, mesmo que, passados alguns anos e aumentando a maturidade, a criança comece a ter ideias claras sobre cada um deles bem como afectos maiores ou menores em relação a cada pai.
Importa, pois, termos em consideração os seguintes pontos:
- A criança exige a presença, na sua vida e no seu processo de desenvolvimento, de ambos os progenitores. A presença do pai e da mãe deverá ser distribuída de forma equitativa, não apenas em termos de horas ou dias, mas também no tipo de actividades e de ambientes quotidianos. Com efeito, os dias da semana não são iguais aos fins-de semana no que toca ao desenvolvimento de actividades mais responsabilizantes, ao estabelecimento de disciplina educativa, bem como nas situações de lazer e descontracção, menos propícios à instituição de regras e normas;
- O divórcio dos pais é um corte de afectos entre os pais e não entre estes e a criança;
- Estaremos a promover um sentimento de segurança na criança se estabelecermos uma constância do relacionamento, horários e dias de visita. De facto, a inconstância cria insegurança e, a longo prazo, poderá ser um factor que propicie uma baixa auto-estima e/ou uma baixa resistência ao stress;
- Convivendo a criança com espaços distintos (isto é, a casa da mãe e a casa do pai), é que ela fará o luto necessário da separação dos pais, embora persista sempre o desejo da sua reunificação;
- Afastamentos superiores a uma semana são considerados contraproducentes para o saudável desenvolvimento da criança de tenra idade, que se encontra a formar os seus vínculos afectivos e modelos comportamentais. Para além disso, é nesta idade que se constrói o conceito de pai e de mãe que, necessariamente, irá ser transposto para as relações futuras da criança;
- De acordo com o Dr Mário Cordeiro, “as crianças devem viver a sua vida num sistema misto de partilha da responsabilidade parental, efectiva e afectiva”, garantindo assim o bem-estar e os direitos da criança.
Famílias reconstituídas: dicas para padrastos e madrastas
Provavelmente devido à sonoridade algo forte, as palavras “padrasto” e “madrasta” tendem a “reprimir” o adulto e a “assustar” a criança.
As seguintes dicas são facultadas pelo Dr Mário Cordeiro, em “O Grande Livro do Bebé”:
- Não tentar ser ou parecer o substituto do pai/mãe biológico(a);
- Aceitar desde o inicio que a relação com o enteado pode não ser fácil. Contudo, com paciência, receptividade e disponibilidade, essa relação pode tornar-se bastante rica para todos os intervenientes;
- Não colocar obstáculos à convivência com um dos pais biológicos, a não ser que existam razões excepcionais; - Não entrar em competição com o pai/mãe biológico(a) para ver “quem é o melhor”;
- Não fazer comentários sobre a intimidade passada dos pais biológicos;
- Não impor a presença de uma só vez. Há que dar tempo ao tempo o que obviamente não implica aceitar humilhações ou situações desconfortáveis;
- Ninguém é obrigado a gostar dos enteados. No entanto, estes devem ser respeitados enquanto pessoas;
- Ter algum cuidado com o que prometem, em termos afectivos, aos enteados, sobretudo se a separação dos pais biológicos é recente, uma vez que a criança se encontra numa fase de grande vulnerabilidade e insegurança;- Não tentar dar tratamento preferencial aos próprios filhos, nomeadamente em questões de educação e disciplina, mas não se abster de os amar naturalmente, uma vez que é natural a existência de ciúmes entre os próprios filhos e os enteados.
"Os castigos corporais a crianças, mesmo os praticados no seio da família, são proibidos e punidos em Portugal desde o ano passado segundo o relatório anual da "Global Initiative To End All Corporal Punishment of Children".
Desde 2007 que dar um estalo ao seu filho passou a ser punido por lei. No relatório da "Global Initiative To End All Corporal Punishment of Children", movimento que defende o fim de todos os castigos corporais infantis, Portugal aparece como um dos 23 países que já têm já legislação que proíbe e pune totalmente os castigos corporais a crianças, incluindo os praticados no seio da família e 108 proíbem ainda estes actos nas escolas, o que representa 41,2 % da população infantil.
Portugal foi um dos últimos países a ter alterado a legislação. O artigo 152 do código penal português foi revisto em 2007 e estabelece que os castigos corporais, a privação da liberdade das crianças e as ofensas sexuais são punidos com penas de um a cinco anos de prisão, podendo as penas aumentar consoante a gravidade da ofensa.
O relatório surge na sequência do estudo das Nações Unidas sobre Violência contra as Crianças, apresentado em 2006, que estabelecia como meta a proibição universal desta prática até 2009. O número de países a aderir a estas novas regras, adianta o documento, está a crescer, e 17 países já assumiram o compromisso de adesão. A nível europeu há mesmo uma intenção do Conselho da Europa de acabar com os castigos corporais nos 47 países membros, tendo aquele organismo lançado uma campanha em 2007 com esse objectivo.
Os castigos corporais são permitidos por lei em 148 países que não assumiram ainda qualquer compromisso para que um dia venham a ser proibidos."
O Coaching Parental, movimento iniciado no Reino Unido e recentemente aplicado em Portugal por duas psicólogas, tem como principais características as seguintes:
- Visa construir pais mais confiantes na educação que dão aos filhos e das competências e qualidades que possuem;
- Facilita a identificação das metas que os pais pretendem alcançar na educação dos filhos e que mudanças serão necessárias implementar para alcançar essas metas. Por exemplo, “Eu quero que o meu filho aprenda a dormir sozinho. Como poderei alcançar esta meta da melhor forma possível, com o mínimo de noites perdidas?” ou “Como poderei eu ajudar o meu filho a fazer os trabalhos de casa sozinho?”, entre muitos outros exemplos;
- Procura reforçar a confiança e a auto-estima dos pais, motivando-os para encontrarem estratégias feitas à sua medida para implementar a mudança. De facto, não há uma única estratégia para lidar com um determinado ponto educativo, como por exemplo, as birras. Cada casal deverá dispor das suas próprias estratégias, adaptadas ao seu filho, distinto dos demais;
- Permite a descoberta de formas novas e criativas de tirar o máximo prazer e satisfação da vida familiar, com o mínimo de stress possível e reduzindo a um mínimo as faltas de paciência.
De acordo com as duas psicólogas fundadores deste movimento em Portugal, Sandra Azevedo e Ângela Coelho, “o Coaching Parental é uma excelente alternativa para todos os pais ou mães que pretendem sentir-se mais confiantes e competentes neste papel, e que gostariam de aprender novas alternativas para lidar de forma positiva com as situações mais angustiantes e difíceis do seu dia a dia enquanto pais.” De facto, o Coaching Parental permite que os pais deixem de se sentir zangados, frustrados, ansiosos ou culpados. Ou, pelo menos, diminuir a frequência destes sentimentos tão negativos, sobretudo para as crianças. Quantas vezes não ouvimos pais que se dizem culpados pela falta de tempo que dedicam aos filhos depois de um intenso dia de trabalho? E quantas vezes ouvimos coisas como “estava tão cansada, tão aborrecida, que perante as birras dos meus filhos, dei dois berros e uma palmada a cada um...depois, senti-me tão culpada...parece que os meus filhos me olharam de modo diferente naquele momento, como que a perguntar para onde teria ido a mãe tão carinhosa...”? Todos nós, enquanto pais, temos dias menos bons. É uma realidade incontornável. Acontece a todos e não nos devemos sentir culpados por uma acção muitas vezes impensada, fruto de uma cabeça quente. Agora, o que está ao alcance de cada um é procurar substituir estas reacções por outras bem mais construtivas e benéficas para todos. Vamos imaginar: chegamos a casa cansados de um dia de trabalho. Temos que fazer o jantar, dar banho e a sopa aos nossos filhos, brincar com eles, adormece-los. E isto em quantas horas? Pois, é quase nenhum o tempo que temos para respirar. Mas de que nos serve extravasar o nosso cansaço sobre a forma de “dois berros” ou uma palmada? Ficamos satisfeitos ou aliviados depois de o fazer? Será improvável. Porque não substituir, então, estes momentos de stress por outros bem mais saudáveis? Funciona em parte como a alimentação saudável: pomos de parte a “funk food” e incorporamos, na nossa alimentação, produtos mais ricos, a todos os níveis. Falar é fácil? Sinceramente, penso que poderemos substituir esta frase, que traduz algum cepticismo, por uma frase que traduza acção, vontade de descobrir novos coping skills, ou competências para lidar com a, b, c e/ou d. O Coaching Parental tem como modo de funcionamento privilegiado as workshops, com uma duração que não chega a uma hora. Normalmente a “aula” começa com os pais a descreverem o seu final de dia ideal, depois do trabalho. O que gostavam de fazer, com quem e onde. A partir daí desenvolvem-se acções que permitem, às pessoas que interagem frequentemente com crianças e respectivas famílias, descobrir e utilizar competências para atingir os objectivos a que se propõem. Para mais informações, poderão consultar o site: http://www.familycoaching.pt/